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Justiça manda soltar homem após ficar preso por 70 dias injustamente

02/07/2019

Dr. Lucas Gabriel recebe Edvan na noite desta terça-feira em seu escritório, onde junto a sua mãe foi agradecer ao Dr. e sua equipe pelo trabalho realizado em sua defesa.

Conheça a História:

A família de Edvan Carlos de Jesus Santos, 27 anos, afirma que ele ficou preso pelo menos 70 dias no CDP (Centro de Detenção Provisória) de Osasco, na Grande São Paulo, acusado injustamente pela Polícia Civil de São Paulo de ter participado de um roubo no bairro do Rio Pequeno, na zona sul da cidade. 

Segundo o processo que resultou na prisão de Edvan, ao qual o R7 teve acesso, em 29 de março, por volta de 9h da manhã no bairro do Rio Pequeno, na zona sul de São Paulo, um policial civil reagiu com sua arma pessoal a um assalto que acontecia em sua rua. Dois rapazes tentavam assaltar um entregador de gás, ele disparou um tiro, que teria atingido um dos assaltantes, mas os dois conseguiram fugir. Logo começou uma caçada por baleados em hospitais.

Entretanto, segundo o advogado de Edvan, Lucas Gabriel Correira Silva, coincidentemente, pouco mais de 1h depois, a cerca de 25 km do local onde houve o assalto, uma discussão sobre um terreno entre homens que bebiam no bairro Parque Suburbano, em Itapevi, terminou em tiroteio e Edvan foi atingido por dois disparos.

Após 21 dias internado, grande parte na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) do Hospital Geral de Itapevi, com sérios ferimentos no tórax e uma bala alojada nas costas, Edvan sobreviveu, mas viveu um inferno nos próximos dias.

A família diz ainda que, quando ele acordou da cirurgia, ainda atordoado pelos efeitos anestésicos de medicamentos, Edvan viu que estava algemado a cama do hospital.

Quando teve alta, em 22 de abril, foi preso e levado para o CDP (Centro de Detenção Provisória) de Osasco, acusado de ter participado no roubo no bairro Rio Pequeno, em São Paulo.

A prisão foi pedida pelo delegado do 89ª DP (Portal do Morumbi) e aceita pela Justiça, com base no fato da entrada de ferimentos à bala de Edvan no hospital e um reconhecimento feito por uma foto antiga de um RG dele pela vítima do assalto.

De família humilde, Edvan estava desempregado e vive de bicos, mora com os pais numa casa ainda em construção e esperava para começar a trabalhar, pois havia sido selecionado para uma vaga de emprego em uma transportadora da região. Inusitadamente, a ligação para o início do trabalho chegou enquanto ele estava internado no hospital.

Durante sua prisão, a aposentada Edna de Jesus Santos, mãe de Edvan, viu seus dias desmoronarem e precisa tomar medicamentos para dormir. Apesar da vida simples, Edna garante que jamais o filho se envolveria em um crime e que ele foi preso injustamente, já que ele teria sido alvo dos tiros a poucos metros de sua casa e até mesmo o atirador, que fugiu, era uma pessoa conhecida da família e do bairro.

Além disto, a família diz que no dia em que Edvan foi preso, os investigadores da Polícia Civil que revistaram a casa de Edna não se importaram neste detalhe.

Segundo eles, os policiais ignoraram que Edvan teria sido vítima de disparos e nem sequer teriam ouvido as testemunhas, a maioria vizinhos que estavam inconformados com a prisão de Edvan, conhecido no bairro por trabalhar nas construções e reformas das casas.

“Ele já me escreveu, pediu cobertor e meias, é tão triste saber que um filho meu está passando frio. Ele não é um criminoso, foi uma vítima, se fosse criminoso, eu mesmo ia fazer questão de que ele ficasse preso, não criei filho para isto, mas ele é inocente, foi preso injustamente”, afirmou Edna com lágrimas nos olhos ao R7.

Ainda segundo Dr. Lucas Gabriel advogado de Edvan, além de não ouvir testemunhas sobre a tentativa de homicídio que ele sofreu, o delegado responsável pelo roubo no bairro do Rio Pequeno, ignorou circunstâncias menores, porém relevantes que se muitos esforços desvinculariam Edvan do crime.

“Eu ouvi os tiros. Ele estava sentado conversando e tomando cachaça em frente a casa da minha mãe, aí aconteceram os disparos. Eu não vi, mas ouvi. Um pouco depois, ele passou se arrastando e pedindo ajuda e depois caiu, até a ambulância socorrer ele”, afirmou Ellen Mingrone Machado, vizinha da família.

Para provar que a teoria criada pela Polícia Civil era falsa, Dr. Lucas apresentou à Justiça o relatório de atendimento do SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), ao qual o R7 teve acesso, em que duas pessoas que fizeram ligações relatam que ele teria sido atingido por dois disparos de arma de fogo, contestando as informações do boletim de ocorrência do crime de roubo, onde foi registrado apenas um disparo.

Ainda segundo o advogado, o delegado responsável pela investigação do crime de roubo também desprezou detalhes periciais. A arma do disparo feito pelo policial civil não foi apreendida e não foi feita balística para checar se os tiros que atingiram Edvan teriam saído da arma dele.

“A única prova que temos no processo é o reconhecimento fotográfico de uma foto do RG de Edvan, e mesmo só tendo isto a juíza disse que eram suficientes para mantê-lo preso, o que é um verdadeiro absurdo”, afirmou Silva.

Alvará de Soltura

Na tarde desta terça-feira (02.07) a 20 Vara Criminal localizada no Foro Central Criminal da Barra Funda em São Paulo, expediu o alvará de soltura, solicitando que Edvan seja solto imediatamente após o recebimento do Alvará, julgando improcedente as acusações e o absolvendo.

Foto: Evelise Lima (Jornal ER)

Legenda: Dr. Lucas Gabriel recebe Edvan junto a familiares em seu escritório, onde ele foi agradecer pessoalmente todo o apoio que recebeu pelo seu advogado.

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