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Jovens de Heliópolis estreiam série de Rádio e podcast sobre ciência

10/10/2022

Primeiro programa do Helipa na Ciência aborda a formação de cientistas nas quebradas e conta com participação de representantes da SBPC, UFABC e UNIFESP

Nesta terça-feira, dia 11, às 15h, entra no ar pela Rádio Heliópolis, 87,5 FM, o Helipa na Ciência, uma série de seis programas sobre os diversos temas do mundo da ciência. Iniciativa do Observatório De Olho Na Quebrada, UNAS Heliópolis e do grupo de pesquisa Jornalismo Humanitário e Media Interventions (HumanizaCom), da Universidade Metodista de São Paulo, o programa conta com apoio institucional e financeiro do Instituto Serrapilheira.

Transmitido direto dos estúdios da Rádio Heliópolis, no coração da maior favela de São Paulo, o programa de estreia abordará a formação de cientistas das quebradas. Para falar sobre esse tema, o programa terá a participação da vice-presidenta da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Fernanda Antônia da Fonseca Sobral, a presidenta da Academia Brasileira de Ciência, professora Helena Nader, que também foi presidenta da SBPC, a pró-reitora de Assuntos Comunitários e Políticas Afirmativas da Universidade Federal do ABC (UFABC), Cláudia Vieira, e o pesquisador e historiador Weber Lopes Góes, membro do Centro de Estudos Periféricos da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP).

Os âncoras do programa são os jovens universitários Sabrina Oliveira e Moroni Henrique, moradores da Heliópolis e pesquisadores do Observatório De Olho na Quebrada. “A forma como o projeto vem sendo tocado é maestral, levando a democracia nas escolhas de temas, propondo formações lógicas que constroem um saber fundamental. Estou extremamente otimista e contemplado com tudo que fizemos até agora e o que ainda vamos fazer”, afirma Moroni.

O objetivo do Helipa na Ciência é discutir, refletir e problematizar temas científicos que sejam de interesse das periferias, proporcionando uma profusão de saberes fundamentais para interpretar o mundo e resistir a uma época repleta de negacionismos. No decorrer de duas horas de programa, a ideia não é apenas discutir o conhecimento científico, mas sobretudo entender como a produção da ciência dialoga com a Heliópolis e como a favela pode se tornar um centro periférico de ciências. Será um ambiente de escuta, empático, acolhedor e horizontal, atento aos marcadores sociais de diferença, dentro e fora da ciência.

Os temas dos seis episódios foram escolhidos pela própria população da Heliópolis, por meio de pesquisa de opinião feita pelo Observatório De Olho na Quebrada, abrangendo a formação de cientistas das periferias, segurança alimentar, emprego e renda, mudanças climáticas, direito à cidade e outros. Para João Victor, jovem co-autor do projeto, a iniciativa “representa o grande potencial de disseminação de conhecimento, a primeira quebra de um muro entre o acadêmico e o periférico, que para mim já é um primeiro grande resultado de um projeto que vai mudar o cenário e história de Heliópolis e da Ciência do mundo”.

            Para a jornalista de ciência, professora e pesquisadora Cilene Victor, coordenadora do HumanizaCom e co-autora do Helipa na Ciência, a produção de conhecimento científico demanda o diálogo estreito, horizontal e participativo entre esses territórios. “A ciência que produzimos na universidade brasileira tem de materializar, valorizar e contemplar os traços e as demandas dos territórios periféricos. Por isso, essa universidade precisa ser inclusiva e plural, abrindo passagem para os jovens das periferias”, explica a jornalista.

            Pensado inicialmente para ser um programa de rádio e uma série de podcast, o projeto ganhou uma abordagem pedagógica que contemplou a formação de vinte jovens da Heliópolis que integram o Observatório De Olho na Quebrada. Foram oferecidas oficinas de jornalismo científico, locução, podcast, captação e edição de vídeo e produção de boletins. A capacitação foi realizada por pesquisadores e pesquisadoras de mestrado e doutorado e membros do grupo de pesquisa HumanizaCom, pelas jornalistas e  professoras Cilene Victor e Filomena Salemme e pelo professor Roberto Chiachiri, diretor da Cátedra Unesco-Umesp de Comunicação para o Desenvolvimento Regional.

O projeto

Helipa na Ciência nasce com o apoio institucional e financeiro do Instituto Serrapilheira, em um contexto em que a divulgação da ciência nas favelas brasileiras, mais do que nunca, afirma-se como uma das condições primárias para inibir o surgimento e a propagação de uma cultura anticiência, que desprestigia e corrobora com a falta de investimentos no conhecimento científico e na educação de base. A escolha da Rádio Heliópolis, localizada no coração da maior favela de São Paulo, Heliópolis, como principal meio de divulgação científica está relacionada ao comprometimento de suas transmissões nos últimos 12 anos, que aliam entretenimento e serviços de utilidade pública à população do Fundão do Ipiranga, com a missão de torná-lo um Bairro Educador.

Para saber mais sobre as instituições responsáveis pelo projeto, visite os links abaixo:

www.instagram.com/institutoserrapilheira/

www.instagram.com/unasheliopolis/

www.humanizacom.com/

www.instagram.com/dolhonaquebrada/
www.instagram.com/helipanaciência

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