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Guarda-chuva vira saco de dormir para aquecer moradores de rua em SP

02/06/2019

Grupo de Santos, no litoral paulista, precisa de costureiras voluntárias para confecção. Nascido há um ano, ‘Alimenta Santos’ também distribui alimentos nas ruas da cidade.

Por João Amaro, G1 Santos

Um grupo de voluntários de Santos, no litoral paulista, se reuniu para fazer o bem duas vezes de uma só vez. A partir de guarda-chuvas usados, eles confeccionam sacos de dormir e doam para pessoas em situação de rua da cidade. Enquanto ajudam o meio ambiente tirando os tecidos que são descartados com frequência, eles também ajudam a amenizar o frio dos que necessitam.

A iniciativa nasceu há aproximadamente um ano, junto com o grupo ‘Alimenta Santos’. Segundo Bete Alegria, de 58 anos, idealizadora do projeto, o mutirão não se concentra apenas nos sacos de dormir: eles também distribuem lanches e sopas pelas ruas da cidade litorânea.

“São aproximadamente 50 refeições que distribuímos sempre às quartas-feiras. Publicamos em nossa página os mantimentos que precisamos para preparar o menu daquela semana e sempre recebemos doações. Além disso, utilizamos materiais recicláveis na hora de servir os alimentos”, explicou ao G1.

Caixas de leite viram o prato para sopas, caldos, e sanduíches. Sucos, café com leite e chocolate quente também servem de alento para os que, por vezes, estão sem comer há dias. “Eles ganham R$ 0,15 por quilo de papelão. Imagina o quanto não precisam juntar em um dia para ter R$ 5 e comer?” diz.

As entregas, que começaram em julho de 2018, também esbarraram em outro problema: a chuva. Segundo Bete, os moradores não conseguem se proteger da água e, também, do frio, principalmente no inverno. A ideia da confecção dos sacos de dormir nasceu após ela assistir a uma reportagem na TV.

“Quando propus [a ideia da confecção], inicialmente, não foi para frente. Neste ano, comentei com uma voluntária sobre fazer algo para protegê-los da chuva, e me veio o guarda-chuva novamente à cabeça”. Uma publicação feita no Facebook fez com que eles passassem a receber, gradativamente, tecidos do equipamento.

“São quatro guarda-chuvas e meio para fazer um saco, cerca de um hora e meia para finalizar um deles. A perda é mínima”, explica, com orgulho, Sueli Dias, de 74 anos. Ela foi a responsável pelo primeiro molde de saco de dormir, que mede, aproximadamente, 1.80 de comprimento por 70 centímetros de largura.

“Além de ser impermeável, ele também esquenta, tem capuz e protege”, diz ela. Apesar do volumoso número de panos doados, para Sueli, a costura é gratificante. “Foi o melhor sim que eu dei. É algo que me gratifica. Como ia dizer não? É algo que temos um certo vínculo”, orgulha-se.

Desde que anunciaram a confecção de guarda-chuvas, muitas pessoas passaram a doar – incluindo um morador de São Vicente, que conserta os equipamentos em feiras. “A filha dele entrou em contato. Ela nos mandou um saco cheio de panos, e nós doamos os ferros para ele arrumar outros guarda-chuvas”, diz Bete.

A engrenagem também gira para os moradores de rua: parte dos ferros também são dadas à eles para que vendam em ferros-velhos. “É uma maneira de eles terem dinheiro para conseguirem se alimentar. Ajudamos o meio ambiente e também ajudamos a quem precisa”.

Agora, o Alimenta Santos precisa de mais voluntários, principalmente de costura. “Não temos meta de entrega, mas precisamos de ajuda. Podemos repassar o gabarito, os tecidos já cortados, fazer mutirões de costuras. Precisamos de mais sacos para distribuir”, explica Bete.

O trabalho árduo, na opinião dela e dos 19 voluntários que hoje atuam no grupo, é recompensado em cada sorriso de gratidão nas ruas. “A reação deles é o que nos motiva. Eles agradecem e não entendem como saímos de casa, às vezes na chuva, para entregar o alimento. Cada um tem uma história. Eles não são invisíveis. É o nosso papel notá-los”, finaliza.


Flavio Ricardo | Creative Retouch

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