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Escola X Violência: O que nos mostra a tragédia em Suzano

20/03/2019

Na manhã de quarta-feira (13/03), o País foi abalado com a notícia do ataque realizado por dois ex alunos à Escola Estadual Professor Raul Brasil, em Suzano (SP), depois de um meticuloso planejamento que durou cerca de 1 ano e meio.  Ao todo, o crime deixou 10 vítimas, incluindo Guilherme e Luiz Henrique (que cometeram suicídio) ao longo da última semana, fatos e histórias relacionados ao crime têm sido descobertos e noticiados pela imprensa:

Sabe-se, por exemplo, que tanto Guilherme quanto Luiz Henrique eram ex-alunos da escola.

Sabe-se que Guilherme, que a abandonou no ano passado provavelmente devido ao bullying, foi criado pelos avós, e que sua mãe, Tatiana Tucci, luta contra a dependência química.

Sabe-se que os dois jovens eram fãs de videogames e gostavam de jogos violentos. Que frequentavam a chamada deep web, a área sombria e ilegal da rede, onde participavam de fóruns virtuais, nos quais receberam ajuda e orientação para planejarem o atentado.

Em meio a tantos detalhes, o esforço da mídia e da sociedade como um todo tem sido o de buscar relações de causa e efeito entre eles. Mas isso tem riscos. O primeiro é que as investigações estão em andamento e, até terminarem, não se pode ter plena certeza das motivações do crime.

O segundo risco é o de reforçar estereótipos, que não necessariamente dão conta do anseio de “encontrar culpados”.

“Será o videogame o vilão? As questões familiares de Guilherme desempenharam algum papel? A deep web, em si mesma, é um risco? O bullying foi o fator primordial? Foi a soma de todos eles? Havia problemas psicológicos?”

De igual forma, as reações têm sido destoantes, especialmente as de representantes do poder público. Há quem defenda mudar a arquitetura das escolas, instalar medidas adicionais de segurança e até armar os professores. Para o senador Major Olímpio (PSL-SP), que também comentou sobre a redução da maioridade penal, “se professores estivessem armados, a tragédia seria evitada”… Seu colega de bancada, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), acredita que “armas fazem tão mal quanto um carro”. No que discordo veementemente, dos dois, a proposta de armar os professores parte do pressuposto que a escola é um espaço de violência, de insegurança. Isso destrói toda a proposta de transformação que a escola traz, de ser um espaço de construção da sociedade, por isso enquanto educadora não acredito que este seja o caminho.

Escola e Políticas Públicas

Se as motivações e fatores individuais ainda estão sendo descobertos, a situação é diferente quando se fala de políticas públicas e educação. Aí já há respostas sobre o que é ou o que não é adequado. São políticas que passam por discutir qual é o papel da escola. Nesse sentido, devemos pensar muito no desenvolvimento integral como esse papel, que é trabalhar as questões sociais, culturais, emocionais e cognitivas de forma integrada. Olhar o aluno como um todo. Dessa forma, tanto as questões que ameaçam quanto as que angustiam os jovens precisam ser discutidas. É por isso que a escola tem de ser o lugar da divergência, dos diferentes pontos de vista, do diálogo.

Estamos em uma sociedade que vive em meio à violência, em que há um culto à violência e que acredita que a violência é a maneira pela qual os problemas sociais são resolvidos. Simplesmente, não discutimos quais discursos legitimam essa violência – e hoje esses discursos são estimulados pelo próprio Estado. A mensagem que se passa é que a sociedade é violenta em si, que está tão brutalizada que não consegue dar outras respostas para resolver seus próprios conflitos, não consegue preveni-los. Assim, as respostas podem ser apenas reativas. Arma-se, então, a população, pois assim se torna mais justificável diversos atos.

Não pode recair sobre a escola toda a responsabilidade de enfrentar a violência. A função social da escola é a transmissão do conhecimento socialmente adquirido, a formação para a cidadania e autonomia, e isso se dá necessariamente em um clima de confiança. Para isso, o professor precisa de apoio, e o apoio não é ‘uma arma para se defender’. Ele precisa de formação para lidar com as complexidades, de condições adequadas de trabalho – e o sistema público de ensino precisa do apoio das outras políticas públicas, dos outros organismos. É assim que se constrói uma rede de proteção para as nossas crianças dentro da escola.

A Família e a Escola

A família e a escola formam uma equipe. É fundamental que ambas sigam os mesmos princípios e critérios, bem como a mesma direção em relação aos objetivos que desejam atingir. Mas não podemos esquecer que, mesmo tendo objetivos em comum, cada uma deve fazer sua parte para que atinja o caminho do sucesso, que visa conduzir crianças e jovens a um futuro melhor.

Existem diversas contribuições que tanto a família quanto a escola podem oferecer, propiciando o desenvolvimento pleno respectivamente dos seus filhos e dos seus alunos. Um exemplo claro que vivencio quase todos os dias:

“Quantas vezes os pais costumam verificar as atividades escolares dos seus filhos?”

“Em quantas reuniões de pais você já participou?”

“Que contato com professores, coordenadores e colegas da sala de seu filho ou filha você possui?”

No fim de tudo a COMUNICAÇÃO é sempre a melhor fonte de informação, converse, olhe nos olhos, incentive, cuide e ame …

Acredito que enquanto mãe e educadora este seja o melhor caminho…

Flavio Ricardo | Creative Retouch

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