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Desemprego atinge 27% da população entre 18 e 24 anos no país

22/04/2019

Entre os jovens, a taxa de desempregados é maior do que o dobro da registrada na população geral. O grupo se enquadra na Lei da Aprendizagem, que está prestes a completar 20 anos.

POR CHICO PRADO (chico.prado@cbn.com.br) 

No Brasil, 27% por cento dos jovens de 18 a 24 anos estão desempregados, mais que o dobro da taxa da população em geral. Esses jovens se enquadram na Lei da Aprendizagem, que está prestes a completar 20 anos. A legislação obriga empresas de médio e grande porte a reservar entre 5% e 15% das vagas a menores aprendizes, mas a ferramenta ainda é vista como uma cota a ser cumprida, não como um investimento na formação profissional.

‘Já tive outros empregos antes, só que eram informais. Eu estava procurando algum que tivesse uma carteira assinada’, conta Bruni Ravani, de 18 anos. ‘Eu já queria entrar nesse meio, no mundo do trabalho. Muito importante pra mim ter essa independência.’

O rapaz saiu de uma fila de meio milhão de pessoas que esperam por uma vaga de jovem aprendiz. Fila que custa a diminuir, reflexo da resistência de muitas empresas brasileiras.

Com salário de R$ 1.200, Bruno já consegue se virar bem melhor do que há alguns meses. Paga o curso de inglês, a conta do celular, transporte e uma parte da mensalidade da faculdade de psicologia, custo que ainda divide com os pais.Ele trabalha no RH de uma construtora de São Paulo, área em que pretende se especializar.

‘Uma empresa legal, com um porte grande, que já tem um nome no mercado, né? Posso estar dentro dela, trabalhando lá no meio’, descreve. ‘Eu sou aprendiz dos recursos humanos, e aí, por conta de estar estudando psicologia, tenho vontade de aprender sobre esse mundo de recrutamento e seleção, sabe? Os métodos da psicologia organizacional, desse meio corporativo. E agora eu estou tendo a oportunidade de conhecer.’ 

Cerca de 40% das empresas cumprem a Lei da Aprendizagem. Há quem defenda alguma flexibilização da legislação como estratégia para a criação de novas vagas. Hoje, o aprendiz contratado passa parte do tempo no trabalho. Um período menor, na sala de aula, onde aprende regras básicas de convivência, ética e até como poupar e investir o próprio dinheiro.

Humberto Casagrande, superintendente do CIEE, Centro de Integração Empresa-Escola, acha que é possível regulamentar melhor a divisão desse tempo.

‘Para que aumentasse o percentual de cumprimento da lei, nós precisaríamos de uma fiscalização maior e também tornar a lei mais interessante para as empresas’, argumenta. ‘Hoje, 30% do tempo dos aprendizes tem que ser dentro da sala de aula, na capacitação. No passado, isso já foi 20. Se fosse 20, seria mais interessante para as empresas.’ 

Ainda assim, uma recente pesquisa do Datafolha mostrou que a Lei da Aprendizagem, aprovada há 19 anos, rema a favor da carreira de quem está só começando. Três em cada quatro jovens que saíram do programa atingiram o objetivo principal e estudam ou trabalham. 

Do Ceará, sai uma das histórias de gente que pode ajudar a melhorar esses números:

Em Fortaleza, Romário Freitas, de 20 anos, tem uma rotina puxada. Pula da cama às 4h30 e leva uma hora e meia até a transportadora onde trabalha. Romário nem sabia bem o que fazer quando recebeu o primeiro salário. Em casa, ouviu o melhor conselho.

‘No começo, no primeiro salário que eu recebi, eu não sabia no que gastar, era muito dinheiro pra mim. Eu fiquei pensando e minha mãe falou: Romário, faz uma conta num banco, uma conta-poupança, guarda dinheiro pra poder pagar uma faculdade lá na frente. Porque é um contrato de um ano e quatro meses. Quando você sair, se não renovarem seu contrato, você vai ter um dinheirinho guardado pra pagar a faculdade enquanto procura outro emprego’, lembra. ‘Acabou ajudando bastante dentro de casa. Hoje em dia, eu faço a minha faculdade, sou eu que pago.’

Entre os aprendizes, 81% ajudaram financeiramente a família enquanto participaram do programa; 23% moram em comunidades carentes. Um quarto dessa força jovem de trabalho continuou firme e forte na empresa onde começou. Com a lição de casa feita, e não mais como aprendiz.

Flavio Ricardo | Creative Retouch

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