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Criança e celular: Como fazer um uso saudável das telas em Casa e na Escola

27/06/2022

Cada vez mais crianças e adolescentes utilizam aparelhos digitais como tablets e celulares. No entanto, o uso excessivo de celulares por crianças pode trazer consequências para o desenvolvimento cognitivo e social e para a saúde. 

O som de risadas e vozes toma o ambiente. Enquanto adultos conversam, as crianças olham a tela do celular. Algumas recebem comida na boca de mães zelosas sem sequer prestar atenção ao que ingerem, como pequenos robôs.

A cena ocorreu em um domingo à tarde, em um conhecido restaurante, mas poderia ter acontecido em uma casa qualquer, na praça de alimentação de um shopping ou na sala de espera de um dentista. Com frequência cada vez maior, crianças e adolescentes utilizam celulares e tablets quase em tempo integral.

A vida agitada dos grandes centros urbanos certamente colabora para que adultos agradeçam os minutos de paz de que conseguem desfrutar quando crianças ficam entretidas com jogos e vídeos. Afinal, ter tempo para fazer uma refeição com calma, ler uma revista ou mesmo checar as próprias redes sociais enquanto os filhos se distraem em silêncio não é algo desprezível.

Quem pode julgar o pai que consegue fazer o filho comer toda a comida sem espernear e reclamar do brócolis? Ou a mãe que por fim responde os emails do trabalho em casa, depois de um dia exaustivo, enquanto os filhos param de brigar para assistir ao novo vídeo do youtuber preferido?

Se as novas tecnologias trouxeram algum alento para pais e cuidadores e ampliou o acesso à informação, é fato que também mudaram a rotina de muitas famílias. Muitas vezes, para pior. Crianças que antes corriam pela casa, bagunçavam o quarto, pintavam as paredes, provocavam os irmãos e enchiam os pais de perguntas agora passam horas sentadas, quietas, voltadas para telas luminosas.

É muito comum que as famílias dessas crianças tenham curiosidade e preocupação com relação ao impacto das tecnologias digitais na vida e no desenvolvimento delas e queiram saber como fazer uso das telas de forma saudável.

No Brasil, 79% das crianças e adolescentes de 9 a 17 anos são usuários de internet, sendo que 85% dessas crianças utilizam o telefone celular para acessar a rede.

Há algum tempo já que a medicina e a psicologia alertam para os riscos sobre o uso excessivo de dispositivos eletrônicos por crianças, ao mesmo tempo em que estudam também seus benefícios.

Claro que existem desenhos, jogos, vídeos e filmes que são mais apropriados para cada idade, mas é importante enfatizar que os conteúdos digitais, por mais adequados que sejam e favoreçam aprendizados, não substituem a interação humana.

As relações intra e interpessoais, que apenas a interação humana fora das telas proporciona, não podem ficar em segundo plano. Até mesmo Bill Gates e Steve Jobs, importantes nomes na criação de produtos e serviços tecnológicos, disseram em entrevistas que limitavam fortemente o uso de computadores para os seus filhos.

Na busca das famílias por ferramentas sobre o uso de telas pelas crianças é extremamente necessário refletir, primeiramente, como a família vem mediando essa ação. Como você, família, vem oferecendo celulares, televisão e computadores aos seus pequenos? Qual a frequência e os seus cuidados com essa oferta?

Diante disso, levantei aqui 10 orientações baseadas principalmente em documentos da Sociedade Brasileira de Pediatria sobre como a família pode mediar o uso do celular e das telas para as crianças:

Vale ressaltar que, com as orientações abaixo, não temos o objetivo de fomentar a proibição total do uso do celular e dos aparelhos digitais por crianças, mesmo porque, muitos dos prejuízos causados por dispositivos eletrônicos no desenvolvimento dos pequenos são decorrentes do uso excessivo deles.

Por isso, família, queremos orientá-la a uma oferta gradual e consciente do uso de tecnologias digitais pelas crianças e proporcionar uma maior reflexão sobre o seu papel nesse contexto.

Confira  as 10 dicas sobre o uso das telas por crianças:

1. Tente evitar a exposição passiva para crianças com menos de 2 anos

Mas o que é exposição passiva?

É quando o adulto coloca um celular na frente da criança para que ela fique atenta ao conteúdo e consiga comer ou pegar no sono, por exemplo. E, contraditoriamente, essas são exatamente as ocasiões nas quais elas mais deveriam ser evitadas durante a refeição e 1-2 horas antes de dormir.

Fique atento para que isso não ocorra com frequência, pois há estudos que mostram a semelhança no funcionamento neurológico da dependência química com a dependência de telas!

2. Aprendizado que estão perdendo

Enquanto está olhando para o celular, a criança perde a oportunidade de aprender questões essenciais, como a discriminação atenta dos sabores, do paladar, de como é uma refeição feita em família, do que pode ou não conversar nesse momento etc.

Para avaliar se o uso de telas nas refeições ou antes de dormir estão muito constantes na sua casa, vale a reflexão não só da quantidade de horas, mas sim do que você entende que os seus pequenos estão perdendo com isso.

3. Limitação das horas

Tente limitar o tempo de exposição ao celular para no máximo de 1h por dia para crianças de 2 a 5 anos de idade.

Durante a pandemia, muitas vezes, foi necessário que as crianças utilizassem tecnologias digitais para fazer tarefas ou mesmo exercícios físicos. Portanto, avalie a qualidade do conteúdo que a criança assiste e faça com que ela intercale o celular e as telas com uma rotina de atividades ao ar livre.

4. Tabela

Uma tabela com figuras e desenhos pode auxiliar na elaboração dessa rotina para que a criança também tenha um entendimento mais fácil. Na tabela, é essencial colocar horários para telas digitais, refeições, atividades físicas, tarefas da escola, brincadeiras livres, momentos de ócio etc.

Se for preciso, altere essa tabela a cada semana junto com a criança. Ela pode desenhar as refeições e ajudar a elaborar brincadeiras, por exemplo.

5. Celular e computador no quarto

Tente evitar que crianças entre 0 a 10 anos usem televisão, computadores ou celulares em seus próprios quartos, principalmente sem a mediação da família ou de adultos. O uso, principalmente frequente, desses aparelhos dentro do ambiente utilizado para dormir pode prejudicar as horas de sono necessárias para as crianças, o que acarreta em outros prejuízos (na atenção e no apetite, por exemplo).

6. Jogos digitais

Se as crianças da sua família já pedem ou usam jogos digitais, fique atento! Segundo o Manual de Orientação da Sociedade Brasileira de Pediatria:

crianças menores de 6 anos precisam ser mais protegidas da violência virtual, pois não conseguem separar a fantasia da realidade.” 

De acordo com o Manual, esses jogos não são apropriados para qualquer idade, pois utilizam da violência como forma de resolver conflitos, contribuem para o aumento da cultura do ódio e intolerância.

7. Exercícios e interação ao ar livre

Incentive a prática de exercícios físicos, brincadeiras ao ar livre ou em contato com a natureza, se possível. Criar jogos dentro de casa, utilizando fitas adesivas no chão, jogos de tabuleiro e blocos de montar podem ser alternativas ricas para a criança não utilizar apenas jogos digitais e ainda interagir com a família.

8. Família atenta

A família tem um papel essencial na fiscalização dos jogos ou outras atividades que as crianças fazem no mundo digital, principalmente em atividades de interação on-line.

Fique sempre de olho nos conteúdos e converse sobre o que eles fazem nesse universo: peça, frequentemente, e em conversa franca, para que eles mostrem os jogos ou as conversas que tiveram on-line; oriente a não compartilhar fotos, senhas e informações como nome, idade, endereço e nome dos familiares; fale para não se exporem por webcam e explique os riscos dessas atitudes.

A dica maior aqui é: Converse: Informe sobre os riscos do uso da internet, tanto com jogos quanto com redes sociais. Oriente sobre o que a criança pode ou não fazer e os motivos para isso.

9. Cyberbullying

Atitudes violentas são comuns no universo digital – é o famoso cyberbullying – e crianças e adolescentes são vítimas constantes. Por isso, aprenda e ensine as crianças a bloquearem mensagens e vídeos ofensivos e inapropriados (com conteúdos sexuais e violentos, por exemplo) e peça para que elas informem os responsáveis da família se forem insultadas ou ofendidas.

Leia também: Segurança digital: como proteger seus filhos dos perigos da internet?

10. Sendo exemplo

Por fim, famílias, lembrem-se que os adultos responsáveis pelas crianças são exemplos fortes para elas. Dê atenção ao seu próprio uso de telas, principalmente quando está com as crianças.

Assim como o incentivo à leitura e aos estudos dos filhos é impulsionado com a prática de leitura e estudos dos pais, por exemplo, o incentivo ao uso frequente ou não de telas digitais também é. Então, dê o exemplo!

Se a sua família está buscando informações sobre o uso do celular e telas por crianças, isso é um ótimo sinal, pois significa que vocês querem aprimorar suas relações e estão preocupados, cuidando uns dos outros.

Mas, não se esqueça: a busca pela atenção ao seu próprio uso de aparelhos eletrônicos é essencial para que as crianças tenham modelos saudáveis também.

Portanto, continue buscando informações sobre esse tema e lembre-se que: o universo da interação humana, principalmente das crianças e adolescentes com a família, também é enorme, complexo e precisa sempre de aprimoramento.

Reinventar-se no cuidado com os pequenos é sempre algo bem-vindo para a educação deles.

Esperamos que tenha gostado do nosso post e que ele lhe ajude a fazer um bom uso do celular junto às crianças. 

Fonte: escoladainteligencia.com.br/blog/crianca-e-celular/

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