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Colapso na saúde rende contratos sem licitação para vans levarem corpos em SP

30/03/2021

A partir desta semana, um grupo de donos de vans escolares começa a fazer o transporte de corpos na cidade de São Paulo. Os profissionais foram subcontratados pela Era Técnica Engenharia, que ganhou um contrato emergencial e sem licitação da prefeitura para o serviço, diante dos recordes de mortes por e o aumento da demanda no serviço funerário. A notícia foi dada com exclusividade pelo Brasil Urgente.  

Em um áudio (ouça no vídeo acima), o presidente do sindicato dos perueiros, Wesley Florêncio, informou aos colegas que o serviço foi uma indicação do vereador Milton Leite (DEM), presidente da Câmara Municipal de São Paulo. Depois, ele negou à reportagem e afirmou que a indicação partiu de uma pessoa do grupo político do vereador.

Uma reunião na sede da Era Engenharia firmou o acordo com 50 donos de vans e ajudantes sob o regime CLT. O custo da operação é calculado em cerca de R$ 600 mil em um mês. Mas a Era Engenharia vai ganhar bem mais. Segundo a própria Prefeitura, serão pagos R$ 1,75 milhões à empresa por 30 dias de serviço. 

Brasil Urgente também descobriu que a Era Engenharia ganhou outros dois contratos nos últimos dias com o serviço funerário da capital. Mais de R$ 200 mil (R$ 207 mil) para a instalação de oito torres de iluminação nos cemitérios que vão receber enterros noturnos. E pouco mais de R$ 1 milhão para a locação de 6 escavadeiras, que farão a abertura de covas. Os dois contratos têm validade de seis meses. 

Os contratos emergenciais são justificados pela prefeitura pelos recordes diários de mortes por covid-19 na cidade.  

Sobre o contrato com a Era Engenharia, a prefeitura de São Paulo informou, por meio de nota, que o contrato foi realizado de forma transparente e em consonância com a legislação vigente. 

A Era Engenharia é uma conhecida empresa em licitações da prefeitura. Os donos dela são Reinaldo Kawaoka Miyake e Andre Margarido Pacheco. Pacheco já prestou depoimento em duas CPIs da câmara municipal que investigaram o a qualidade do serviço prestado por empresas ao município: a CPI das Enchentes de 2010 e a das Concessionárias, aberta no ano passado. 

Flavio Ricardo | Creative Retouch

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